Run, não perca, em abril, esta dura e bem sucedida minissérie dramática inglesa

por max 11. abril 2014 07:23

 

Run é o nome da nova série internacional que o Max apresenta em abril. Desta vez é uma minissérie dramática inglesa dividida em quatro partes que conta quatro histórias interconectadas ao estilo de filmes como Amores Brutos (Amores Perros, 2000), 21 Gramas (21 Grams, 2003), Babel (2006) – estes três, como já devem saber, são do mexicano Alejandro González Iñarritu – Crash: No Limite (Crash, 2004) de Paul Haggis, ou Traffic (2000) de Steven Soderbergh. "Toda ação tem sua reação", "toda vida atinge outra vida" são as frases que definem esta maravilhosa minissérie produzida pelo Channel 4.

A história nos apresenta Carol (Olivia Colman, que vimos em Tiranossauro), uma mulher sem marido, mas com dois filhos para sustentar, ambos imaturos, nada compreensivos da situação, fechados em um mundo onde se misturam as bebedeiras, as brigas e os videogames. Eles, em uma dessas bebedeiras, acabam cometendo um terrível ato de violência e Carol deverá fazer algo para protegê-los. Nessas voltas do destino, ela se conectará com Ying (Katie Leung, umas das garotas da saga Harry Potter), uma imigrante chinesa sem documentos jogada nas ruas de Brixton vendendo objetos roubados, mas não para fazer algo com o dinheiro e sim para pagar sua dívida com "os cabeças da serpente", quer dizer, com a máfia chinesa. Em certo momento, um ataque a deixará sem amigos ou conhecidos, e ela buscará refúgio em Jamal, dono de uma barbearia. Depois conheceremos Richard (Lennie James, quem temos visto nas séries Hung, Jericho e The Walking Dead), um viciado em heroína em recuperação, que tenta voltar a ver sua filha. A dor que lhe gera tal necessidade, o colocará à beira de uma recaída. E na parte final, conhecerá Kasia (Katharina Schüttler, quem faz Greta em Geração da Guerra), uma jovem polonesa que foi vendo morrer suas esperanças de ter sucesso em Londres e que terminará guardando um segredo que pode lhe custar a vida.

Mas isto é apenas um resumo, porque também, entre eles, se estabelecerá essa conexão existencial e argumental que nos demonstrará que, sem dúvida, toda ação implica em uma reação e que toda vida toca outras vidas e, às vezes, as muda para sempre.

Run, suprema minissérie inglesa, a partir de quarta 16 de abril, com estreia exclusiva no Max.

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O Labirinto de Kubrick, um documentário sobre as chaves secretas por trás de O Iluminado, de Stanley Kubrick

por max 10. abril 2014 06:08

 

 

Vou dizer uma coisa, de verdade, você não pode perder. Se quiser, não veja o restante da programação do Max este mês, mas o filme O Labirinto de Kubrick (Room 237, 2012), primeiro longa-metragem de Rodney Ascher, você precisa ver. DEVE ver, é obrigatório. Estamos diante de um documentário que explora os supostos significados ocultos de uma obra-prima do cinema, o filme de terror O Iluminado (The Shining) de Stanley Kubrick, essa maravilha que até hoje, desde sua estreia em 1980, fascina e faz pensar em seus significados.

Então se trata de um documentário chato que faz análises de cinema? Não, na verdade o assunto é bem divertido. Ascher juntou cinco fãs do filme de Kubrick que dizem o que acreditam ter descoberto. Acontece que o que eles acham ter descoberto é muito divertido. Ascher, vale dizer, não os ridiculariza, mas conversa com eles e mostra, enquanto eles vão falando, as imagens, as cenas do filme onde eles dizem que as chaves estão.

Que chaves, o que descobrem e quem? Trata-se de cinco pessoas, como já disse: Bill Blakemore, que acredita que O Iluminado fala do genocídio dos nativos americanos, baseado nas decorações do próprio hotel Overlook; Geoffrey Cocks, que analisa que a discussão é sobre o holocausto nazista; Juli Kearns, que relaciona o labirinto do filme com o Minotauro (que não é tão absurdo, porém muito óbvio); John Fell Ryan, que descobriu que se você sobrepuser várias cenas diferentes, umas adiantes e outras atrás, formam coincidências bem particulares; e Jay Weidner, que argumenta que o filme é uma grande confissão criptografada de Kubrick, que nos diz que foi ele quem dirigiu a suposta aterrisagem da Apollo 11 na Lua – como sabemos, esta é uma das mais famosas teorias da conspiração.

Será que tudo isso está certo? Não importa! É divertido entrar nessas mentes e saber o que elas pensam. Você pode rir ou levar um susto, assim como fez Jack Torrance, que quase se atreveu a entrar no quarto 237...

 

 

Mas espere! Aqui não termina tudo. Assim que assistir o documentário, continue no Max. E sabe por quê? Porquê na sequência poderá ver a obra em questão, O Iluminado, o que permitirá você, claro, assistir pelo ponto de vista dos cinco fãs e "especialistas" em Kubrick.

Já sabem, O Labirinto de Kubrick, 15 de abril, com estreia exclusiva no Max. E na sequência, O Iluminado.

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Motores Sagrados, misterioso e apaixonante filme do diretor francês cult Léos Carax

por max 9. abril 2014 03:32

 

Quem é o senhor Oscar? O senhor Oscar é um ator que não ganha prêmios do Oscar, mas que está muito ocupado atuando no misterioso e apaixonante filme Motores Sagrados (Holy Motors, 2012) do cineasta Léos Carax, antigo "enfant terrible" do cinema francês, que volta à grande tela após três anos de ausência. Seu último trabalho foi Pola X (1999), filme selecionado à Palma de Ouro em Cannes. Na verdade ele já era conhecido por lá desde 1984, quando foi agraciado com o Prêmio da Juventude (claro, ele tinha apenas 24 anos).

Carax tem feito poucos filmes, mas, cada vez que termina um, recebe a aprovação da crítica e de seus seguidores. Sangue Ruim (Mauvais Sang, 1986), estrelado por Juliette Binoche e Denis Lavant, levou vários prêmios no Festival de Berlim e Os Amantes de Pont-Neuf (Les amants du Pont-Neuf, 1991), também estrelado por Binoche e Lavant, foi selecionado para o BAFTA e para o Prêmio César. Sem medo, poderíamos dizer que Léos Carax entra na categoria de autor cult.

Mas do que trata Motores Sagrados? É sobre um ator chamado Oscar (interpretado por Denis Lavant), que passeia em uma limusine e que, durante as horas que andamos com ele, faz novas citações, assume novos papeis, ou pelo menos é o que afirma Céline (Édith Scob), a dama ruiva que dirige a limusine. Não podemos deixar escapar os seguintes detalhes: o filme começa com o próprio Léos Carax acordando e passando através de uma fenda a uma sala de cinema. Carax, aqui o grande detalhe, na realidade se chama Alex Oscar Dupont, Léos Carax é um anagrama de Alex Oscar.

Continuamos: assim como foi um assassino de aluguel, o senhor Oscar essa noite irá a diversas locações de Paris e interpretará diferentes papeis. A única diferença é que ali não tem diretor, nem público, nem câmeras: ele simplesmente interpreta com outras pessoas (outros atores?) cenas onde os limites entre a atuação e a realidade se misturam. Assim, no percurso da noite, este ator interpretará uma idosa que pede esmolas, um outro ator que vai usar uma roupa que captura os movimentos do corpo para transformar em cinema ou jogos 3D – dançará como em um filme musical, fará piruetas ao estilo pastelão, representará movimentos de artes marciais e até mesmo se exercitará em uma sessão pornográfica -, um mendigo meio monstruoso que se apaixona por uma modelo (interpretada por Eva Mendes) e a sequestra, um idoso em seu leito de morte, um pai que discute com sua filha após pegá-la em uma festa e talvez a ele mesmo quando se encontra com Jean (interpretada pela estrela pop australiana Kylie Minogue), outra atriz com quem, ao que parece, ele teve um romance no passado.

O senhor Oscar interpreta seus papeis à perfeição, mas também se vê afetado por essa falta de fronteira entre a arte e a realidade. Em algum momento ele dirá que a única coisa que ainda permanece é a beleza do gesto, esse motor que impulsiona sua vida.

Motores Sagrados é uma joia cinematográfica do gênero fantástico que perturba, encanta e, sem dúvida, surpreende e dá vontade de saber o que vai acontecer depois.

Motores Sagrados, domingo 13 de abril, estreia exclusiva no Max.

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Reza por Chuva, filme dramático que recria o desastre do gás em Bhopal

por max 3. abril 2014 08:52

 

Este é um filme de um diretor indiano que cresceu na Índia, mas que não sabe dançar nem cantar. Reza por Chuva (A Prayer for Rain, 2013) é um drama poderoso, dirigido por Ravi Kumar, que recria os acontecimentos trágicos do desastre de gás em Bhopal.

Em 3 de dezembro de 1984, na região de Bhopal, aconteceu na fábrica de pesticidas Union Carbide um terrível vazamento de isocianato de metila que, ao entrar em contato com a atmosfera, se decompôs em gases tóxicos que geraram uma nuvem letal, que começou a se dissipar próximo ao solo da cidade. Milhares de pessoas e animais morreram de forma quase que imediata e outras em acidentes durante o desespero pela fuga. Acredita-se que 8.000 pessoas morreram na primeira semana e outros 12.000 depois, devido às sequelas deixadas pelos gases. No total, calcula-se que morreram cerca de 25.000 pessoas e cerca de 600.000 foram afetadas.

Kumar conta várias histórias baseadas neste terrível momento, para nos mostrar as causas, o drama e as consequências. Vale destacar que aquela fábrica era propriedade de um grupo americano que, em negociações acertadas com os políticos da região, estabeleceu a operação no meio de uma área residencial, cujos habitantes receberam felizes a novidade nos anos setenta. Eles precisavam de trabalho, precisavam de infraestrutura (águas, pavimentação) que a empresa lhes deu. Martin Sheen, conhecido lutador pelos direitos dos mais necessitados, interpreta um empresário americano que se comporta sob os parâmetros de uma estranha moral filantrópica e ao mesmo tempo de um cruel pensamento egoísta. Temos também Mischa Barton, interpretando uma jornalista que passa pelos lugares da tragédia, e vários trabalhadores da fábrica e políticos da região, cada um representando respectivamente a sua busca pela verdade, o drama da pobreza e a cegueira do poder e a corrupção.

Sem dúvida um drama que emociona e mostra uma das tragédias industriais mais terríveis que acometeu a humanidade... E, justamente este ano, esta tragédia completa 30 anos.

Reza Por Chuva, domingo 6 de abril, no Max.

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Make It Funky - Os Ritmos de New Orleans - Magnífico documentário que comemora a maravilhosa música de New Orleans!

por max 31. março 2014 07:30

 

New Orleans é, sem dúvida, uma das cidades mais musicais dos Estados Unidos… Na verdade, é um dos lugares mais musicais do mundo. Se pararmos para pensar na música pelo mundo e pensarmos em uma ilha, Jamaica, onde surgiu o ska e o reggae, ou em uma cidade, Nova York, onde se reinventou a salsa… Mas sem dúvida, quando pensarmos no jazz, logo pensaremos em New Orleans. O documentário Make It Funky - Os Ritmos de New Orleans (Make it Funky!, 2005), de Michael Murphy, não só celebra o jazz desta magnífica cidade, mas toda sua tradição musical, que vai muito além do jazz, mas que abrange a influência africana do Caribe, a francesa e ritmos como o blues, o gospel, o pop e, claro, o jazz.

Narrado por Art Neville, o lendário cantor e tecladista nativo de New Orleans, o documentário é construído com base nas imagens da cidade, suas esquinas, suas ruas, suas comidas, sua arquitetura e com uma boa quantidade de entrevistas de importantes artistas da cidade e do mundo como Earl Palmer, Allen Toussaint, Irma Thomas, The Meters, Little Richard, Walter "Wolfman" Washington, Snooks Eaglin, Bonnie Raitt, Keith Richards e até dos próprios Neville Brothers; tudo no contexto de um concerto de estrelas que aconteceu em 2004 com a finalidade de celebrar, precisamente, a riqueza musical da fascinante New Orleans.

Make It Funky - Os Ritmos de New Orleans, terça, 1 de abril, no Max.

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Temporário 12, um drama sobre a juventude perdida que impressiona

por max 28. março 2014 13:41

 

Um drama pesado sobre a adolescência perdida ou em busca de recuperação, este é Temporário 12 (Short Term 12, 2013), o filme do jovem diretor Destin Daniel Cretton, que conta a história a partir do ponto de vista de Grace (Brie Larson), uma jovem de vinte e poucos anos que trabalha como supervisora em um centro de atenção a adolescentes órfãos ou que foram maltratados por seus familiares. Grace é uma menina carinhosa, trabalhadora e que está muito feliz com seu emprego. Ela já esteve na mesma situação que as crianças que cuida e agora só quer retribuir o favor que foi feito por elas. Também tenta ficar bem o máximo possível com seu namorado Mason (John Gallagher Jr.). No entanto, nela se movem seus próprios tormentos, seu passado conflitivo, que arde como ferida e que começará a surgir com a chegada de novos membros à comunidade, em especial Jayden (Kaitlyn Dever), uma garota inteligente e problemática, em quem Grace verá muito do que ela era, e talvez ainda seja. Uma história complexa, sem sensacionalismos, bem pensada, com personagens profundos, assim como o tema do amor, o passado, a redenção e a dor. Você se impressionará, sem dúvida, e também acho que ficará arrepiado.

Vale dizer que Temporário 12 é baseado no documentário de mesmo nome, que Cretton lançou em 2008 e que recebeu o prêmio de melhor curta-metragem em 2009 (Sudance), e com um reconhecimento especial da Academia de Hollywood em 2010, assim como tantos outros reconhecimentos em festivais. Tanto sucesso fez com que o diretor transformasse a história em um longa-metragem. Resultado: um magnífico filme independente que agrada e choca. Claro, o longa também teve grande sucesso em festivais ao redor do mundo. Na maioria deles, vale dizer, Brie Larson ganhou o prêmio de Melhor Atriz; inclusive houve comentários que sua atuação foi tão boa que merecia indicação ao Oscar.

Temporário 12, este mês no Max.

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Elas, história sensual e dramática estrelada por Juliette Binoche

por max 27. março 2014 04:14

 

Elas (Elles, 2011), de Malgorzata Szumowska, conta a história de Anne, interpretada por Juliette Binoche, uma mulher profissional, casada e que escreve para uma revista feminina sobre temas da atualidade, e que um dia decide escrever um artigo sobre prostituição. E é aí que conhecemos Lola (Anaïs Demoustier) e Alicja (Joanna Kulig), duas jovens garotas que se prostituem para pagar seus estudos. Estes dois mundos se juntarão e a fusão afetará a todas, mas em especial a Anne, que começará a mudar espiritualmente, a se sentir sentindo-se devastada pelos desejos que nunca antes havia sentido, nem deixado despertar. Nas figuras de Lola e Alicja, cabe dizer, você descobrirá uma realidade que sai do lugar comum da prostituição.

O mundo do negócio carnal que é mostrado não é necessariamente abismal, mas tenta ser objetivo: as garotas têm dinheiro, estão pagando seus estudos, têm roupas, seus luxos, nem todos os clientes querem sexo nem as maltratam. No entanto, também entendemos que o trabalho as afeta no plano amoroso, familiar e também inconsciente. Cada garota, isso sim, é diferente. Uma mais alegre, a outra mais tímida, uma é francesa, a outra estrangeira, e ambas enfrentam sua condição de maneira diferente.

Agora, apesar de que estas duas atrizes têm uma excelente atuação (Joanna Kulig ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Polish Films Awards), a maior profundidade dramática ficou por conta da grande Juliette Binoche, que vem desenvolvendo sua carreira desde os anos oitenta e já fez mais de cinquenta filmes. Sua carreira internacional começaria projetando-a como uma atriz bonita que iluminava as telas com sua inocência em filmes como A Insustentável Leveza do Ser (The Unbearable Lightness of Being, 1988), filme de Philip Kaufman baseado no romance homônimo de Milan Kundera. No entanto, desde seus primeiros momentos, Binoche demonstrava que queria mais e, em 1992, interpretou um papel muito mais complexo em Perdas e Danos (Damage) de Louis Malle, onde ela não só mostrou seu lado dramático como também o sexual. Binoche também é conhecida por ser a primeira das garotas Kieslowski (as outras duas seriam Julie Delply e Irène Jacob) na trilogia das três cores, neste caso em A Liberdade É Azul (Trois Couleurs: Bleu, 1993). Pouco depois, em 1997, O Paciente Inglês (The English Patient, 1996) de Anthony Minghella, lhe deu o BAFTA e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, além da indicação ao Globo de Ouro.

Juliette Binoche é, sem dúvida, uma das atrizes francesas mais importantes da atualidade e em Elas volta a comprovar sua capacidade para representar a paixão sexual e as confusões da alma. Elas é, definitivamente, um filme cru e sensual que lhe dá um olhar direto da mulher contemporânea, sem desprezos, sem poses e sem femininos panfletários.

Elas, este mês no Max.

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Cores do Destino, segunda obra cinematográfica dirigida por Shane Carruth

por max 20. março 2014 06:43

 

Você não pode perder este mês, no Max, Cores do Destino (Upstream Color, 2013) de Shane Carruth. Uma espécie de thriller que não é thriller, um filme de ficção científica que não é ficção científica e um drama romântico que não é romântico… Este filme genial de Carruth, querido amigo, não tem classificação e portanto é absolutamente fascinante.

Shane Carruth era engenheiro, mas decidiu fazer cinema. Em 2004 juntou sete mil dólares e produziu seu primeiro filme, chamado Primer (clique aqui para ver o trailer), também um filme de ficção científica sem grandes efeitos especiais, mas com muita arte, em um roteiro sobre a invenção de uma máquina do tempo que é utilizada com fins pouco humanitários. Primer foi exibido no festival de Sundance e logo se transformou na sensação do momento, o que o fez ganhar o Grande Prêmio do Júri de Melhor Filme. Nove anos depois – sim, nove anos depois – Carruth apresentou seu segundo filme: Cores do Destino. Ele se deu um tempo, mas nos entregou outra maravilha, um filme que continua sua busca dentro do que é essa ficção científica minimalista, cheia de imagens poéticas e impactantes. A história? Pois bem, certa noite, Kris (Amy Seimetz) é sequestrada e hipnotizada – ou drogada – por um personagem que a faz realizar coisas absurdas (como beber água acreditando que a água é um líquido delicioso, ou transcrever o romance A Vida Nos Bosques de Henry Davis Thoreau), ao mesmo tempo em que ela vai se livrando de seus bens. Certo momento, ela descobrirá que o que a tem dominado são vermes que carrega dentro de si, em seguida, acordará abruptamente em outro lugar. Mas será tarde demais: ela já se livrou de todo seu dinheiro e perdeu seu emprego. Depois será atraída a uma fazenda onde um personagem conhecido como The Sampler (O Provador) (Andrew Sensenig) vai tirar o sangue dela e injetar em porcos. Em seguida, ela voltará a acordar em outro lugar e, claro, não entenderá suas lembranças. Um ano depois, se encontrará com Jeff (o próprio Carruth), que também parece ter sofrido algo muito parecido ao que ela sofreu. Juntos tentarão preencher os vazios da memória, o que é igual a descobrir a si mesmo e até os perigos que podem ser.

Quer mais? Acho que não precisa, quem gosta deste tipo de história já está fascinado com este pequeno texto, com esta história que parece ser uma metáfora das formas de controle, da imposição dos gostos (a publicidade, por exemplo, te "empurra" produtos e marcas sempre mais refrescantes e saborosas que a água), crenças e convicções de mundo.

Trata-se, sem dúvida, de uma joia cinematográfica que Carruth escreveu, dirigiu, atuou, fotografou, musicalizou, vendeu e distribuiu e que, no final, teve uma boa quantidade de indicações em diversos festivais, assim como o prêmio Citizen Kane como Diretor Revelação em Sitges (festival de cinema fantástico) e o Prêmio Especial do Júri em Sundance pelo desenho de som.

Cores do Destino, este mês no Max.

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Leonie, terceiro filme do ciclo dedicado às mulheres, estrelado pela maravilhosa atriz Emily Mortimer

por max 17. março 2014 05:53

 

Este mês, o Max apresenta, no ciclo dedicado às mulheres, Leonie (2010), um filme dirigido por Hisako Matsui, que recria a vida da educadora, editora e jornalista americana Leonie Gilmour, uma grande mulher que não acreditava em fronteiras humanas e sempre acreditou que a arte é um dos meios mais importantes para entender a realidade, inclusive superá-la.

No papel de Leonie está a magnífica atriz britânica Emily Mortimer, que temos visto nos últimos anos trabalhando com grandes diretores como Woody Allen em Ponto Final – Match Point (Match Point, 2005) e Martin Scorsese nos filmes Ilha do Medo (Shutter Island, 2010) e A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011). Emily é uma atriz de caráter, formada em literatura inglesa e russa em Oxford, e que combina muito bem para interpretar esta mulher lutadora que teve um caso com o premiado poeta japonês Yone Noguschi (Shido Kanamura), com quem teve um filho e depois se mudou para o Japão (a pedido do próprio) em momentos de conflitos internacionais (sem dúvida, ao chegar, ela descobriu que ele era casado com uma mulher japonesa). Leonie Gilmour sofreu discriminação racial (ela e seus filhos) e lutou contra os padrões culturais de um país onde a mulher era totalmente submissa ao homem. Contudo, ela sempre teve em mente a educação de seus filhos como pessoas que podem crescer espiritualmente e ser livres através do olhar que somente a arte permite.

Hisako Matsui começa o filme com uma das heranças fundamentais de Leonie para a humanidade: seu filho, o arquiteto e escultor Isamu Noguchi (Jan Milligan), que a propósito – permita-me o pequeno detalhe - trabalhou na companhia do empresário Herman Miller junto com Charles Eames, outro arquiteto e designer da atualidade que pudemos ver recentemente no Max, no documentário Eames: O Arquiteto e a Pintora (2011). Noguchi, entre tantas coisas, é o criador da famosa mesa Nogushi (clique aqui para visualizar uma foto).

A partir deste grande artista, o filme começa com um fato do passado, pois Noguchi nos contará sua história, mas principalmente a história de sua mãe, essa mulher que lutou para ser ela mesma, que se sacrificou pelo amor de um homem e, principalmente, pelo amor aos seus filhos, que ela educou de tal maneira que se tornaram grandes destaques na vida (Leonie também é mãe da grande bailarina Ailes Gilmour, cujo pai ainda é desconhecido, pois a mãe preferiu assim).

Leonie, dentro do ciclo de cinema dedicado às mulheres, este mês no Max.

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Um Alguém Apaixonado, a mais recente produção de Kiarostami, trabalha a tensão de um triângulo amoroso

por max 13. março 2014 09:54

 

Este mês no Max, teremos Um Alguém Apaixonado (Like Someone in Love, 2012), o mais novo longa-metragem do iraniano Abbas Kiarostami, um dos mais importantes diretores do cinema contemporâneo. Kiarostami, que tem uma carreira iniciada nos anos setenta e que conta com mais de quarenta trabalhos, entre curtas e longas, tem ganhado prêmios tão importantes como a Palma de Ouro em Cannes por Gosto de Cerejas (Ta'm e guilass) em 1997, ou os quatro prêmios que ganhou por O Vento Nos Levará (Bad ma ra khahad bord) em 1999 (o Grande Prêmio Especial do Júri, o FIPRESCI, o OCIC e o CinemAvvenire), além de uma boa quantidade de prêmios e indicações nestes e em outros festivais importantes do planeta.

Enquanto seu longa-metragem anterior, Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010) – que pudemos ver há pouco tempo no Max -, saía de seu país de origem, Irã, e se instalava na Itália para contar uma história de pessoas feridas que começam a representar uma história de amor. Em Um Alguém Apaixonado – também selecionado em Cannes à Palma de Ouro em 2012 – o cineasta nos leva ao Japão para contar o que parece ser um triângulo amoroso. Digo "parece" porque neste filme as relações se confundem e passam a ser outra coisa na mentira. Você, como espectador saberá o que é verdade e o que não é: Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem estudante de sociologia que trabalha pelas noites como prostituta. Noriaki (Ryõ Kase) é seu namorado, e ele suspeita de algo, mas como essas suspeitas se unem ao seu ciúme desmedido, têm pouco efeito. Mas as coisas se complicam quando Akiko é designada a um cliente, o senhor Takahashi (Tadashi Okuno), seu ex-professor, um homem mais velho e muito honrado. Mas o problema não é o senhor Takahashi, o problema é que no dia seguinte o professor e o namorado se encontrarão e o namorado confundirá o honrado professor com o pai de Akiko, o que fará com que a mentira se mantenha e que, claro, a trama se desenvolva enquanto essa mentira está ali, sobre uma corda bamba.

Um filme dramático que segura pela tensão da descoberta de uma mentira, outra obra-prima de um dos realizadores mais importantes do melhor do cinema atual.

Um Alguém Apaixonado, estreia exclusiva domingo, este mês no Max. 

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